CORETO BAR E CULTURA
- Juan Ricthelly Vieira da Silva
- há 7 horas
- 2 min de leitura
Um bar cultural, ousado e recalcitrante

O Coreto Bar e Cultura foi o cenário de uma noite especial (01/08), onde a poesia, a música e a boemia se encontraram durante algumas horas, para marcar o lançamento do primeiro livro do gamense Juan Ricthelly.

Dos 100 exemplares impressos, os que não foram vendidos na pré-venda, acabaram naquela mesma noite.
A abertura do evento ficou por conta do poeta José Garcia Caianno, numa perfomance poética solo em interação com a plateia por meio do poema “O Bicho” de Manuel Bandeira.
A atividade teve a proposta ousada de reunir pessoas num bar para ler, ouvir, sentir e consumir poesia, e foi bem-sucedida. Levando em consideração que as duas primeiras horas do evento tiveram a poesia como protagonista, contando com duas mesas de debate, compostas por poetas, poetisas, artistas da cidade e outros estados até. A casa estava cheia, faltou mesa e cadeira para quem quis.
Houve uma homenagem singela ao grafiteiro Esdras Thiago por meio da exposição de um quadro de sua autoria no local.
O escritor Alexandre Bernardo também apresentou o seu mais novo livro de contos, "Gama, Brasília e América Latina", uma obra que iremos tratar com maior atenção em outra oportunidade.
A música que normalmente é o centro das atenções em atividades culturais, ficou em segundo plano, mas brilhou tanto quanto a poesia através do saxofone do argentino Joel Santillan e do pianista Gabriel, com um repertório riquíssimo que transitou lindamente entre a MPB, a Bossa Nova e o Jazz, hipnotizando o público que ouvia cada nota encantado.

O Coreto que está localizado parede a parede com o Centro Cultural Itapuã, o templo da cultura mais importante da nossa cidade, que lutamos há anos para ressuscitar como equipamento público de cultura, junto aos eventos que tem ocorrido na Praça Lourival Bandeira, invocam e mantém viva a vocação de coração cultural da nossa cidade daquele espaço. Que um dia veremos funcionar e existir como deve, enquanto esse dia não chega, há que se reconhecer o Coreto como um último pulsar cultural recalcitrante, de um lugar que quase virou um templo religioso da maior multinacional da fé do nosso país.
Quantos bares no Gama arriscariam fazer uma noite de autógrafos, de um livro de poesia, num sábado a noite?
Fotos: Wagner Rodrigues (@wagner.guitars)
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