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PLAYBOY

Crônica de uma revista que marcou gerações



Por Juan Ricthelly


Quem viveu sabe!


Me recordo com nostalgia das Playboys, de toda a logística que eu e meu primo executavamos cautelosamente pra poder folhear uma.


Elas normalmente ficavam 'escondidas' debaixo do colchão de algum tio, primo mais velho ou qualquer outro adulto da família, o acesso não era tão difícil assim.


A adrenalina mesmo, consistia em conseguir ver as mulheres nuas antes que um adulto aparecesse, e isso tinha que ser feito rapidamente, mas quem conseguia ir rápido quando chegava exatamente nessa parte? A lentidão da curiosidade e do encanto era irresistível, e era normalmente nessa hora que algum adulto chegava, e as reações variavam entre gritos, castigos e talvez até uns tapas.


Obviamente a vergonha de ser pego no flagra fazendo tal 'saliência' era enorme, a família inteira ficava sabendo!


Para tentar driblar essa vigilância constante, chegamos ao cúmulo de tentar ver a revista debaixo da cama no escuro, não dava pra ver muita coisa nessas circunstâncias. E o flagra era inevitável também, com o tempo a gente ficou mais maroto.


Acontecia vez ou outra de algum colega levar uma Playboy escondida pra escola, já fui esse colega inclusive, nunca fiz parte de uma célula que foi descoberta e parou na direção, mas aconteceu com outros.


Também houve uma época em que estava na moda cortar alguma página e colar nas capas de dentro do caderno, e exibir orgulhosamente para os colegas.


Havia debates acalorados para discutir qual havia sido a melhor daquele ano, ou qual era a favorita de cada um, e nesse quesito a da Vera Fischer era lendária.


Mas o melhor lugar para ler uma Playboy com calma, tranquilidade, sem desespero ou qualquer julgamento era na Barbearia do Seu Mineirinho, em frente à casa da minha tia, cortei o meu cabelo com ele por anos, entre os meus 11 e 16, raspava a cabeça religiosamente uma vez por mês.


Ele demorava horas cortando o meu cabelo e eu adorava conversar com ele, ouvindo suas histórias e as fofocas da vizinhança, ele um senhor idoso e eu um projeto de homem, mas ele me tratava com o respeito devido a um homem feito.


E ali naquele ambiente onde eu me sentia e era tratado como um homem de verdade, eu folheava aquelas revistas com calma e sem pressa, não nego que as mulheres nuas eram a razão inicial do meu fascínio, mas com o tempo comecei a apreciar o restante da revista, com suas entrevistas, matérias e sessão de piadas.


A Playboy se foi, teve a sua era que chegou ao fim. Hoje quem manda é o Onlyfans, uma espécie de uberização da nudez.

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