VENCEDOR DO ÚLTIMO FESTIVAL DE MÚSICA POPULAR DO GAMA ESTÁ NA SEMIFINAL DO THE VOICE

Carlos Filho venceu o 28º FMPG com a música “Peraí” da Bandavoou em 2015

Por Juan Ricthelly


Faz 6 anos desde o nosso último Festival Música Popular do Gama (FMPG), que teve em 2015 a sua 28ª edição. Um dos festivais de música mais tradicionais do Brasil, que acontece desde 1979, tendo nascido por meio Grêmio Estudantil do Colégio do Gama, fazendo parte da história de nossa cidade e da música popular brasileira.


Em 2015 a conjuntura era outra, 2013 ainda ecoava de alguma maneira, 2014 foi ano de Copa do Mundo no Brasil, do vergonhoso 7x1 da Alemanha e talvez da última eleição com algum grau de normalidade democrática que tivemos apesar da polarização, que se radicalizaria nos anos seguintes, culminando no Golpe de 2016, mas em 2015… O litro da gasolina era R$ 3,23, a inflação fechou em 10,67, ainda não havíamos começado a vivenciar os desmontes que viriam com a PEC do Teto dos Gastos Públicos, que congelou os gastos públicos por 20 anos, e Reforma Trabalhista que prometeu uma avalanche de empregos que nunca chegaram, desequilibrando as relações de trabalho em favor dos patrões e a Reforma de Previdência que dificultou monstruosamente a aposentadoria das próximas gerações de trabalhadores.

Era um ano em que ainda tínhamos um Ministério da Cultura e ainda éramos um país respeitado internacionalmente, e apesar dos pesares e todas as contradições do início daquele segundo governo Dilma, foi o último ano de sossego que tivemos como nação, o que veio depois foi uma ladeira da qual ainda não saímos.

E o fato do último Festival de Música Popular do Gama ter sido nesse ano em especial, é algo que hoje pode ter outros significados e simbolismos, que nos passaram despercebidos até o momento.

Aquele FMPG foi inovador, pois teve uma etapa de participação e engajamento popular pela internet, onde as músicas inscritas poderiam receber votos do público, sem perder os aspectos marcantes dos festivais de música popular das décadas de 60 e 70.

Cheguei a participar com uma canção autoral, ‘Ohanna’, uma bossa que compus na época da faculdade para uma das tantas amigas por quem fui apaixonado, fui eliminado de cara, mas segui empolgado com o festival.

Lembro da estrutura montada em frente ao Bezerrão, das bandas e de algumas músicas, eu não conhecia nenhum dos grupos finalistas, mas quando escutei a Bandavoou cantando “Peraí Menina! Você me olhou com aquela cara de não sei...”, senti algo que não sei explicar, olhei para minha amiga que estava do lado e disse sorrindo:

“Essa é a música! Vou torcer pra ela!”

E quando o resultado saiu, eu pulei e gritei loucamente, parecia até que a música era minha, e de certa forma, se tornou um pouco minha a partir dali.


Fui correndo abraçar os músicos, parabenizar, tirar foto, perguntar qual era a base de acordes para tocar, e eles me receberam com toda aquela simpatia nordestina carregada daquele sotaque lindo de Pernambuco, e a partir dali virei fã, fui pesquisar outras músicas no Youtube, seguir as páginas do Instagram e do Facebook, baixei a música vencedora, incluí no pen drive do meu carro e desde então, acompanho com atenção e carinho esses músicos maravilhosos.

Outro ponto marcante daquele FMPG foi o encerramento magistral feito por Chico César, estávamos tão perto do palco nesse momento que gritamos “Canta Filme Triste!”, e ele atendeu. Mas a canção que mais me chamou a atenção foi a música “Reis do Agronegócio” com seus versos carregados de críticas pesadas ao latifúndio, aos agrotóxicos e aos prejuízos causados ao meio ambiente, isso tudo em 11 minutos:


Ó donos do agrobis, ó reis do agronegócio

Ó produtores de alimentos com veneno

Vocês que aumentam todo ano sua posse

E que poluem cada palmo de terreno

Depois ainda tive a oportunidade de encontrar o Chico César no camarim, tirar uma foto e parabenizá-lo pela belíssima música, que era uma mistura de manifesto político e hino ecossocialista.

Na saída, parabenizei mais uma vez os músicos da Bandavoou, e um deles disse antes de sairmos:


— Vocês precisam de carona pra casa?!

— Não! Estamos de carro, muito obrigado!


Era Carlos Filho, um artista que daquele dia em diante comecei a admirar. Um jovem pernambucano de 33 anos nascido em Serra Talhada, que trocou uma carreira na advocacia para se dedicar à música.

E grande foi a minha surpresa e alegria ao descobrir essa semana que ele está na semifinal do The Voice Brasil, depois de encantar os jurados com “Enquanto Engoma a Calça”, música de 1979 do cantor Ednardo, entrando para o time Lulu Santos. Na etapa seguinte, foi escolhido pelo público para avançar à semifinal, ao cantar o clássico “Pavão Misterioso”, também do cearense Ednardo.


Na próxima etapa, cada time terá dois semifinalistas, com somente um indo à final, e a participação do público vai ser muito importante, diante disso, convido você a votar e apoiar o Carlos Filho, para que ele possa chegar à final, e se possível vencer o The Voice Brasil 2021, consagrando assim o seu brilhantismo artístico, e o potencial do Festival de Música Popular do Gama para revelar novos talentos da Música Popular Brasileira


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