ADMINISTRADOR REGIONAL DE CEILÂNDIA DECLARA GUERRA À PROJETO SOCIAL PARCEIRO DA UNESCO

Delegado Fernando Fernandes ameaça remover programa Jovem de Expressão para construir depósito


No site da Administração Regional de Ceilândia é possível ter acesso ao perfil do Administrador Regional, o Delegado Fernando Fernandes, que se inicia enaltecendo uma origem humilde e o nascimento na cidade que hoje administra, complementado por um breve resumo de sua biografia, trazendo aspectos profissionais e políticos.


Era de se esperar que alguém com tal trajetória, com vínculos comunitários que remontam ao nascimento no local, com um suposto conhecimento de causa da realidade, de onde vive e trabalha, compreenderia a importância de um programa social e o seu impacto na vida de uma juventude e de uma comunidade periférica, longe do centro, com suas oportunidades e atrações abundantes. Mas infelizmente não é o que está acontecendo neste exato momento.


O delegado que se orgulha de ter atuado na Delegacia da Criança e do Adolescente II (DCA II), tendo sido conselheiro tutelar em Ceilândia entre nos anos de 2013 e 2014, é o mesmo que hoje estando à frente da Administração Regional de Ceilândia, enquanto protagoniza uma ameaça real e lamentável a um projeto social que já impactou positivamente a vida de milhares de pessoas.


O Projeto Jovem de Expressão nasceu em 2007, com os objetivos de promover a saúde de jovens entre 18 e 29 anos de idade, reduzindo sua exposição à violência, sendo implementado pelo Grupo Caixa Seguros e Central Única das Favelas – CUFA-DF, em Ceilândia e Sobradinho II, com tecnologia social própria e validada pela Organização Pan-americana de Saúde (OPAS), incluindo atividades de arte, cultura, comunicação e terapia comunitária.


Em 2010 obteve o reconhecimento do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) como uma boa prática na prevenção da violência entre jovens, no mesmo ano, o Jovem de Expressão começou a funcionar na Praça do Cidadão em Ceilândia Norte, em 2018 um espaço abandonado pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) foi ocupado e reformado pelo projeto, convertendo um espaço sem uso de 116 m², em sala de dança, teatro de bolso, estúdio audiovisual, galeria de arte, espaço para reuniões, palestras, aulas, cultos religiosos, terapias e várias outras atividades.


Em 2011 veio a parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), como mais uma prova da importância e do reconhecimento do impacto positivo da iniciativa.


Desde então, mais de 400 atividades foram realizadas, atendendo 42 mil pessoas por ano, impactando 462 mil pessoas, promovendo saúde mental e corporal, oferecendo acesso à cultura, tecnologia, educação, lazer e arte, contribuindo para a formação e orientação de milhares de jovens que hoje trabalham, estudam e tiveram suas vidas transformadas por esse programa social, que faz muito mais do que o Estado por aquela comunidade.

Recentemente, o Governo do Distrito Federal (GDF), por meio da Administração Regional de Ceilândia, capitaneada por um filho da cidade, o Delegado Fernando Fernandes, resolveu reivindicar o espaço ocupado pelo Jovem de Expressão, alegando que necessita que o Galpão Cultural seja convertido num galpão que sirva de depósito para os remédios da Farmácia Popular localizada na mesma praça.


Com o propósito de defender a permanência do Jovem de Expressão na Praça do Cidadão, um levante comunitário liderado pela juventude local se iniciou, ganhando proporção distrital, despertando simpatia e solidariedade por todo o Distrito Federal, tomando as redes sociais com a hashatg #oJEXfica.


Uma petição pública online está coletando assinaturas (https://jovemdeexpressao.com.br/) e haverá uma vigília nos dias 22 e 23 de Outubro com uma programação repleta de atividades e atrações, para maiores informações sugerimos a página do Jovem de Expressão no Instagram (https://www.instagram.com/jovemdeexpressao/).


É lamentável que um “gestor”, político e delegado com visão e perspectiva limitadas, ouse atentar contra um projeto que atua na prevenção da violência e da criminalidade, com reconhecimento e respaldo de organismos internacionais, oferecendo oportunidades que nem mesmo o Estado oferece.


Ao que parece, a miopia do delegado talvez acostumado a ver jovens periféricos em conflito com a lei, como ameaças à sociedade e criminosos em potencial, possivelmente está se sobrepondo ao fato de que o Jovem de Expressão atua na raiz do problema que a sua instituição profissional diz combater lá na outra ponta, impedindo ao longo de todos esses anos que muitos jovens fossem parar na delegacia ou no sistema prisional.


Deve ser difícil perceber que numa sociedade doente como a nossa, que nas artes, na cultura em geral, na terapia, no lazer, na comunidade e em tantas outras coisas, reside parte do poder curativo que tanto precisamos para seguir transformando esse mundo num lugar melhor, e que num lugar onde não há atividades culturais, a violência vira o espetáculo!




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